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Inclusão

Cuidados especiais para alunos

Incluir crianças com deficiência nas salas regulares depende de um trabalho diferenciado do educador e de muitas ferramentas de auxílio


Fazer um planejamento para classes com jovens com deficiência exige cuidados especiais. A primeira coisa é conhecer a criança e a família. Esse contato, além de ajudar a saber com quem você vai passar o ano, também orienta sobre os materiais específicos de que pode precisar em aula. Outra forma de conseguir essas informações é procurar o profissional que oferece atendimento especializado. "Essa troca é importante para o professor ter ideia das habilidades e competências com as quais está lidando", explica Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Com isso, ele pode pensar em propostas colaborativas dentro de sala e aperfeiçoar seus métodos pedagógicos. Cada aluno tem necessidades próprias. Nenhuma deficiência é igual", diz.
O QUE FAZER, CASO A CASO:

Deficiência auditiva 
  • A escola precisa providenciar um intérprete para os alunos que já dominam a libras e um educador disponível a ensinar a linguagem a professores e crianças 
  • Fale sempre de frente, os alunos precisam enxergar seus lábios 
  • Sempre que possível, utilize recursos visuais 
  • Use gestos, pois facilitam a compreensão
Deficiência visual 
  • Solicite os materiais específicos, como os utensílios para escrever em braile e o soroban, audiolivros ou lupas e um profissional disposto a ensinar a escola a ler e escrever em braile. Também é fundamental garantir a acessibilidade em toda a escola, como sinalizações e comunicados traduzidos 
  • Acrescente estímulos orais às explicações 
  • Não mude os móveis de lugar com frequência para prevenir acidentes
Deficiência física
  • Os materiais específicos podem ser pranchas ou presilhas para prender o papel na mesa, suportes para lápis e canetas e até computadores
  • Alargamento de portas, instalação de rampas e barras de apoio facilitam a mobilidade dos alunos
Deficiência mental
  • Informe-se com a família e os profissionais que acompanham o estudante sobre as necessidades dele e os instrumentos adequados para a aprendizagem
  • Estimule habilidades sociais e interpessoais
  • Faça avaliações compatíveis com o potencial de cada um. As comparações entre alunos são sempre prejudiciais
  • Planeje metodologias de ensino com recursos diversificados e dê aos conteúdos um significado prático e instrumental
O planejamento deve levar em conta que podem ser necessárias, por exemplo, transcrições para o braile, audiolivro ou interpretação em libras. Esse apoio, garantido por lei, é feito por especialistas em conjunto com a escola. As secretarias municipais, organizações regionais e nacionais de apoio aos deficientes, universidades ou o Ministério da Educação oferecem orientações, materiais didáticos e até mesmo profissionais e estagiários. "Com a escola, o educador pode cobrar soluções para assegurar os direitos de seus alunos", diz Daniela.

Mais do que os materiais de acesso, planejar uma aula inclusiva implica observar a Educação de modo amplo. Em vez de aulas que privilegiem a informação e sua reprodução, o professor pode buscar a interação dos jovens. "A Educação para a inclusão pede uma mudança de concepção do ato de ensinar", diz Maria Teresa Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O ensino focado na repetição de conceitos há muito tempo é ruim para qualquer estudante, com deficiência ou sem", diz.

O caminho é abordar os assuntos com base em aspectos variados, por meio de técnicas ou recursos audiovisuais, considerando os saberes prévios da garotada. A valorização da experimentação e da criação em discussões, pesquisas ou trabalhos em grupo, com materiais que proporcionem diferentes níveis de compreensão, faz com que todas as crianças se sintam integradas e mais motivadas a aprender. E, quanto mais variados forem os instrumentos, melhor. "É bom ter em mente que, se o professor pensar só em imagens para traduzir os conceitos, ele não penaliza apenas quem é cego, mas também quem senta no fundo da sala ou tem mais facilidade em compreender verbalmente", completa.

"A diversificação das técnicas em sala de aula fez todos responderem positivamente", conta a professora Margarete de Menezes Prade, da EE Coronel Ciro Carvalho de Abreu, em Porto Alegre (RS). Esse ano ela recebeu um jovem cego em sua turma do 3º ano e precisou reorganizar seus cursos. Colocou bonequinhos e miniaturas de bichos nas aulas de ciências sobre os animais e, com os estudantes, levou a apresentação dos trabalhos em grupo para além da cartolina e leitura, deixando-a mais dinâmica. "Ele apenas colocou em evidência onde eu precisava agir diferente. Na hora de planejar as aulas, comecei a variar meus materiais de pesquisa e pensar em debates polêmicos e questões de diversidade", diz. Ela também tem a ajuda da máquina em braile e, no ano que vem, terá um ábaco para o ensino da matemática. "Quando fico em dúvida, os alunos ajudam, dão ideias e trazem material de casa", diz.

Cada estudante tem seu caminho e ritmo próprios de estudo, compreendendo temas de formas diversas. Na hora de avaliar, o que está em jogo é o progresso de cada um e seu processo de aprendizagem. "Quando optamos por ver o que o jovem é capaz de produzir e suas respostas às atividades propostas, conseguimos acompanhar seu percurso escolar e a evolução das competências", explica Mara Lúcia Sartoretto, pedagoga e consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Em outras palavras, não é a reprodução de informações, mas o que o aluno acrescentou ao seu conhecimento prévio e a forma como fez isso que devem ganhar nota.





A inclusão da criança com deficiência visual

A questão da inclusão de crianças com deficiências visuais na rede regular de ensino insere-se no contexto das discussões, cada vez mais em evidência, relativas à integração de pessoas portadoras de deficiências visuais enquanto cidadãos, com seus respectivos direitos e deveres de participação e contribuição social.
Conceito de deficiência visual: é um impedimento total ou a diminuição da capacidade visual decorrente de imperfeição no órgão ou no sistema visual.
As causas de deficiências visual podem ser congênitas ou adquiridas:
  • Atrofia óptica – perda total ou parcial da visão;
  • Catarata congênita – embaçamento do cristalino;
  • Glaucoma congênito – aumento da pressão interna do olho
  • Doenças hereditárias: abinismo, daltonismo (não consegue distinguir as cores), hemophilia (hemorragia), anomalias na retina ou na córnea ou na íris, altas miopias;
  • Conjuntivite gonocócica – quando a mãe apresenta uma doença venérea e esta é transmitida durante o parto;
  • Toxoplasmose – infecção do feto durante a gravidez através de agentes transmissores;
  • Retinopatia do recém-nascido – bebês prematuros expostos à aplicação de oxigênio;
  • Retinose pigmentar – é uma doença hereditária, se manifesta no jovem. Não existe cura e leva à cegueira;
  • Coreorretinite macular – processo inflamatório que atinge a coróide e retina (perda das cores e imagens distorcidas);
  • Miopia – dificuldade de ver nitidamente à distância;
  • Hipermetropia – dificuldade de ver nitidamente de perto;
  • Astigmatismo – esforços visuais para perto e longe;
  • Ambliopia ou estrabismo – conhecido como olho preguiçoso;
É fundamental a prevenção – diversos exames ajudam a prevenir grande parte desses riscos.
Identificação: identificar uma criança cega é mais fácil do que significar uma criança portadora de baixa visão. A criança pode permanecer durante muito tempo em casa e na escola sem que sua deficiência seja detectada. Há de se atentar para: atraso de desenvolvimento, desvio de um dos olhos, não seguimento visual de objetos, borramento súbito ou paulatino na visão (vermelhidão, mancha branca nos olhos, dor, lacrimejamento, flashes, retração do campo de visão) – esta última é mais comum em adultos.
Após diagnosticada a deficiência pode oftamologista especializado em baixa visão este fará a indicação a auxílios ópticos especiais e orientará sua adaptação.
O professor após o diagnóstico levantará suas necessidades de adaptações e uso de recursos, lembrando que:
  •   As necessidades são individuais;
  • Deve-se fazer uma relatório diário de como a aluno vem se apropriando das imagens;
  • As adaptações são sujeitas a mudanças;
  • Deve haver um trabalho contínuo com o aluno deficiente de auto confiança e valorização das próprias capacidades, eficiência, desenvoltura...
  • Deve-se engajar a família no processo de apoio
  • O aluno deve continuar na escola com o apoio dos profissionais de educação;
  • Deve haver espaço adequado e com segurança;
  • Deve-se criar independências e autonomias adequadas dependendo da faixa etária do aluno;
  • Deve-se explorar bastante os sons, o vento e a luminosidade
  • A orientação e a mobilidade sempre farão parte da aprendizagem para a criança com deficiência visual;
  • As crianças com DV devem Ter os mesmo direitos das outras crianças;
  • As crianças com DV devem freqüentar a escola para desenvolver plenamente suas pontencialidades;
  • Cada criança tem seu tempo e sua capacidade de entender e de se portar diante aos fatos;
  • A criança com DV não deverá jamais ser relegada. Esta apresenta condições de aprender e se desenvolver.
  • Devem haver materiais variados, para uso comum como para uso individual, não deverá haver mudanças no mobiliário e nem nos objetos em classe com alunos portadores de DV;
  • Deve ser usado um mural para que o aluno uso tatilmente;
  • Devem haver materiais com texturas diversas;
  • Devem haver cantinhos de livros adaptados e textos em braile;
  • O ambiente deve ser propício à alfabetização tanto para crianças normais como para portadoras de deficiências visuais, caso haja alguma na turma;
  • Registrar os textos oralmente à tinta e em braile, sempre que possível, havendo caso de DV em sua turma.
  • É importante integrar o aluno à turma regular. Transcrição de livros e provas em braile e em tipos ampliados;
  • Recursos tecnológicos como gravador, CDs, cassete, computadores e máquina de datilografia são importantes em sala de aula que contém algum aluno com DV.
Presente a uma criança cega
Ofereça-me liberdade para que eu possa usar minhas mãos, meus pés e todos os meus sentidos com plenitude.

Ofereça-me desafios para que os enfrente, desfrute e aprenda com eles, podendo crescer em experiência e segurança.

Ofereça-me independência ajudando-me naquilo que não posso, e estímulo em fazer aquilo que posso.

Ofereça-me limites como a todas as crianças para que eu possa crescer como pessoa.

Ofereça-me exigências para que eu possa mostrar toda a minha capacidade.

Ofereça-me igualdade de oportunidades para que eu triunfe na vida de acordo com meus esforços e perseverança.

Ofereça-me uma bengala e incentiva-me a usá-la, para não depender de bengalas humanas.

Ofereça-me apoio, e não ocupar-se por mim.

Ofereça-me amor apesar de minha diferença.

Mas não me ofereça superproteção, indiferença nem compaixão, porque são esforços inúteis.

Se me oferece tudo isso serei completamente feliz e poderei fazer felizes todos ao meu redor. 
Dicas de leitura sobre o tema:


Cuidados especiais para alunos

Incluir crianças com deficiência nas salas regulares depende de um trabalho diferenciado do educador e de muitas ferramentas de auxílio.


Fazer um planejamento para classes com jovens com deficiência exige cuidados especiais. A primeira coisa é conhecer a criança e a família. Esse contato, além de ajudar a saber com quem você vai passar o ano, também orienta sobre os materiais específicos de que pode precisar em aula. Outra forma de conseguir essas informações é procurar o profissional que oferece atendimento especializado. "Essa troca é importante para o professor ter ideia das habilidades e competências com as quais está lidando", explica Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Com isso, ele pode pensar em propostas colaborativas dentro de sala e aperfeiçoar seus métodos pedagógicos. Cada aluno tem necessidades próprias. Nenhuma deficiência é igual", diz.


O QUE FAZER, CASO A CASO

Deficiência auditiva

  • A escola precisa providenciar um intérprete para os alunos que já dominam a libras e um educador disponível a ensinar a linguagem a professores e crianças
  • Fale sempre de frente, os alunos precisam enxergar seus lábios
  • Sempre que possível, utilize recursos visuais
  • Use gestos, pois facilitam a compreensão

Deficiência visual

  • Solicite os materiais específicos, como os utensílios para escrever em braile e o soroban, audiolivros ou lupas e um profissional disposto a ensinar a escola a ler e escrever em braile. Também é fundamental garantir a acessibilidade em toda a escola, como sinalizações e comunicados traduzidos
  • Acrescente estímulos orais às explicações
  • Não mude os móveis de lugar com frequência para prevenir acidentes

Deficiência física

  • Os materiais específicos podem ser pranchas ou presilhas para prender o papel na mesa, suportes para lápis e canetas e até computadores
  • Alargamento de portas, instalação de rampas e barras de apoio facilitam a mobilidade dos alunos

Deficiência mental

  • Informe-se com a família e os profissionais que acompanham o estudante sobre as necessidades dele e os instrumentos adequados para a aprendizagem
  • Estimule habilidades sociais e interpessoais
  • Faça avaliações compatíveis com o potencial de cada um. As comparações entre alunos são sempre prejudiciais
  • Planeje metodologias de ensino com recursos diversificados e dê aos conteúdos um significado prático e instrumental
O planejamento deve levar em conta que podem ser necessárias, por exemplo, transcrições para o braile, audiolivro ou interpretação em libras. Esse apoio, garantido por lei, é feito por especialistas em conjunto com a escola. As secretarias municipais, organizações regionais e nacionais de apoio aos deficientes, universidades ou o Ministério da Educação oferecem orientações, materiais didáticos e até mesmo profissionais e estagiários. "Com a escola, o educador pode cobrar soluções para assegurar os direitos de seus alunos", diz Daniela.

Mais do que os materiais de acesso, planejar uma aula inclusiva implica observar a Educação de modo amplo. Em vez de aulas que privilegiem a informação e sua reprodução, o professor pode buscar a interação dos jovens. "A Educação para a inclusão pede uma mudança de concepção do ato de ensinar", diz Maria Teresa Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O ensino focado na repetição de conceitos há muito tempo é ruim para qualquer estudante, com deficiência ou sem", diz.

O caminho é abordar os assuntos com base em aspectos variados, por meio de técnicas ou recursos audiovisuais, considerando os saberes prévios da garotada. A valorização da experimentação e da criação em discussões, pesquisas ou trabalhos em grupo, com materiais que proporcionem diferentes níveis de compreensão, faz com que todas as crianças se sintam integradas e mais motivadas a aprender. E, quanto mais variados forem os instrumentos, melhor. "É bom ter em mente que, se o professor pensar só em imagens para traduzir os conceitos, ele não penaliza apenas quem é cego, mas também quem senta no fundo da sala ou tem mais facilidade em compreender verbalmente", completa.

"A diversificação das técnicas em sala de aula fez todos responderem positivamente", conta a professora Margarete de Menezes Prade, da EE Coronel Ciro Carvalho de Abreu, em Porto Alegre (RS). Esse ano ela recebeu um jovem cego em sua turma do 3º ano e precisou reorganizar seus cursos. Colocou bonequinhos e miniaturas de bichos nas aulas de ciências sobre os animais e, com os estudantes, levou a apresentação dos trabalhos em grupo para além da cartolina e leitura, deixando-a mais dinâmica. "Ele apenas colocou em evidência onde eu precisava agir diferente. Na hora de planejar as aulas, comecei a variar meus materiais de pesquisa e pensar em debates polêmicos e questões de diversidade", diz. Ela também tem a ajuda da máquina em braile e, no ano que vem, terá um ábaco para o ensino da matemática. "Quando fico em dúvida, os alunos ajudam, dão ideias e trazem material de casa", diz.

Cada estudante tem seu caminho e ritmo próprios de estudo, compreendendo temas de formas diversas. Na hora de avaliar, o que está em jogo é o progresso de cada um e seu processo de aprendizagem. "Quando optamos por ver o que o jovem é capaz de produzir e suas respostas às atividades propostas, conseguimos acompanhar seu percurso escolar e a evolução das competências", explica Mara Lúcia Sartoretto, pedagoga e consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Em outras palavras, não é a reprodução de informações, mas o que o aluno acrescentou ao seu conhecimento prévio e a forma como fez isso que devem ganhar nota.

Mara dá o exemplo de atividades diversificadas, como a construção de um portfólio. Por meio da observação diária, o educador descobre o que as crianças aprendem e a maneira pela qual trilham o saber. Também percebe as capacidades de cada um e ganha pistas de como ampliá-las.


10 Conselhos sobre crianças com deficiências

As informações seguintes, desenvolvidas por Guldaban Habibi, encaram formas de ajudar crianças com deficiências a aprender num ambiente seguro e equiparado.
O Laboratório de Acessibilidade recebeu e divulga o texto enviado por Marina S. Rodrigues Almeida, do Instituto Inclusão Brasil - São Vicente -SP. (13) 34695176.
O texto original - Ten messages about children with disabilities - foi traduzido do inglês por Maria Amélia Vampré Xavier (Rede de Informações Área Deficiências, Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de S.Paulo; Fenapaes, Brasília - Diretoria para Assuntos Internacionais; Sorri Brasil, SP; Carpe Diem, SP; Rebrates, SP; Inclusion International):

1. Evite atitudes negativas estereotipadas sobre crianças com deficiências evitando palavras negativas tais como “incapaz”, “aleijada” ou “limitada” em vez de “uma criança com uma deficiência física ou de movimento”; “presa à cadeira de rodas” em vez de “uma criança que usa cadeira de rodas”, “surda muda” em vez de uma criança com deficiência de audição e de fala” ou “retardada” por “uma criança com deficiência intelectual.”

2. Descreva crianças com deficiências em status semelhante àquelas que não têm deficiências.Por exemplo, um aluno com uma deficiência pode instruir uma criança menor sem deficiência. Crianças com deficiências devem interagir com crianças não-deficientes no maior número possível de situações.

3. Deixe que crianças com deficiências falem por si mesmas e expressem seus pensamentos e sentimentos. Envolva crianças com e sem deficiências nos mesmos projetos e encoraje sua participação mútua.

4. Observe crianças e identifique deficiências. A detecção precoce de deficiências se tornou parte da educação da primeira infância.

5. Encaminhe a criança cuja deficiência for identificada para triagem de desenvolvimento e intervenção precoce.

6. Adapte as lições, os materiais de aprendizado e a sala de aula às necessidades de crianças com deficiências. Use meios como impressão em letras grandes, sente a criança na frente da classe, e torne a sala de aula acessível a uma criança com mobilidade reduzida. Integre idéias positivas acerca de deficiências no trabalho da classe, nas brincadeiras das crianças e outras atividades.

7. Sensibilize pais, famílias, e prestadores de cuidados acerca de necessidades especiais de crianças com deficiências. Converse com os pais em reuniões bem como em conversas de pessoa para pessoa.

8. Ensine a pais frustrados maneiras simples de enfrentar e monitorar as necessidades do filho e ajude-os a ter paciência a fim de evitar maus tratos à criança deficiente.

9. Oriente os irmãos e outros membros da família a fim de reduzir a dor e a frustração dos pais de crianças com deficiências sendo útil a eles.

10. Envolva ativamente os pais de crianças pequenas com deficiências como membros plenos da equipe ao planejar atividades na escola e depois da escola.





Um Boneco para os Cegos

O Boneco Braillin

Um boneco inovador apresentado em Espanha permite que as crianças se familiarizem com a linguagem Braille.Com os botões da camisa do Braillín pode escrever-se todo o alfabeto Braille. À primeira vista, o Braillín parece um boneco como outro qualquer. Cabelo loiro, sorriso aberto, calções azuis, meias vermelhas e uns sapatos que parecem desproporcionados em relação ao resto do corpo. E a camisa alaranjada também seria banal se não fossem os seis pequenos botões dispostos em duas filas verticais que fazem dele um brinquedo pioneiro em todo o mundo - é que sobre eles pode escrever-se todo o alfabeto Braille. A iniciativa, apresentada recentemente na Espanha, nasceu na Argentina, pelas mãos de uma professora que trabalha com deficientes visuais, e foi premiada no Concurso de Investigação Educativa sobre Experiências Escolares, na modalidade de material didático, que a Organização Nacional de Cegos da Espanha (ONCE) organiza todos os anos.

O Braillin ao colo das crianças
«Com o Braillín, queremos potenciar aquelas atividades e experiências que permitem o adequado desenvolvimento educativo, afetivo e social das crianças com deficiência visual e contribuir para que os restantes companheiros conheçam o código Braille e as regras básicas na relação com as pessoas que têm esse tipo de deficiência. E tudo isso através de uma atividade que é muito importante para eles: o jogo», afirmou María Luz Laine Mouliaá, directora de Educação da ONCE, na apresentação da iniciativa.
A responsável acredita que o boneco constitui um excelente recurso didático para o ensino pré-escolar e primeiro ciclo, uma vez que, além de atuar como elemento integrador e instrumento para a aprendizagem do Braille, também reforça a auto-estima e a autonomia pessoal, estimula o desenvolvimento sensorial e motor e permite trabalhar o esquema corporal e as noções espaciais e matemáticas.

FONTE:gesta.org




Sugestões de atividades para Educação Infantil da criança com deficiência visual

· Explorar os objetos com mãos, pés, corpo, descobrindo sua textura e consistência.

· Fazer uso de esquemas motores secundários: bater, puxar, sacudir, empurrar e levantar objetos de diferentes texturas e consistências.

· Explorar os objetos, fazendo movimentos circulares com as mãos para reconhecer o formato e adquirir a noção do todo, associada à indicação visual.

· Achar orifícios, detalhes, diferenças nos objetos, através da exploração visual ou tátil.

· Oferecer objetos significativos como: talco, desodorante, xampu, embalagens, para reconhecimento e descoberta de uso e função.

· Procurar objetos que caíram do lado, embaixo, na frente, atrás do corpo.

· Propiciar experiências táteis e auditivas com objetos que façam o aluno sentir-se produtor do som ou do movimento: molas, canudos, bexigas.

· Encaixar copos, latas, tampas, empilhar objetos de formatos e tamanhos diferentes, construir formas com esses objetos.

· Oferecer objetos para reconhecimento e indicação do seu uso e função: telefone, escova, pente, sapato, carro, boneca, etc.

· Imitar ações e expressões.

· Ajudar a descobrir as diferentes maneiras de usar os objetos. Por exemplo: colher serve para comer, sacola serve para colocar compras, brinquedos e roupas.

· Explorar simultaneamente a forma, o tamanho e os detalhes dos objetos.

· Vivenciar relações espaciais com o corpo e com objetos: entrar e sair de caixa, pneus, tubos.

· Puxar, arrastar, empurrar objetos de tamanhos e peso diferentes.

· Subir em caixas, cadeiras, mesa, banco, escadas, descobrindo as diferenças de altura, largura, profundidade.

· Realizar movimentos atendendo ordens simples: abaixar, subir, pular.

· Passar por dentro de arcos, de tubos, de cima para baixo, de baixo para cima, nomeando as posições.

· Orientar-se em relação aos colegas: colocar-se à frente do colega na fila, às costas, ao lado.

· Deslocar-se em direção ao som, em linha reta, fazendo o trajeto de ir e vir.

· Posicionar-se em relação aos colegas, descobrindo pela voz, quem está perto e longe.

· Descobrir objetos escondidos em diferentes posições, marcando com som quando está longe ou perto (está frio... está quente .... está esfriando.... está esquentando.

· Orientar-se em relação a um objeto: colocar-se ao lado, dentro, fora, em cima.

· Localizar e guardar objetos e brinquedos em armário.

· Andar sobre cordas em linha reta: cordão de comprimentos diferentes.

· Estabelecer sempre os mesmos horários e locais para a rotina desenvolvida, para que a criança possa antecipar, organizar-se e construir o mapa mental.

· Vivenciar sequência de ações enfatizando o começo, o meio e o fim.

· Andar em passos lentos/ rápidos com marcação rítmica do som.

· Caminhar de acordo com duração de apito: curto/longo. Variar com tambor e chocalhos.

· Descrever oralmente acontecimentos passados e futuros.

· Realizar experiências enfatizando o antes e o depois.

· Organizar caixas com sequência de atividades utilizando objetos que representam a ação que vai ser realizada, vivenciando o “agora, antes e depois”.

· Familiarização da escola com sondagem do ambiente para identificar “pontos de referências e pistas”.

· Utilizar brinquedos como pré-bengala (carrinho de boneca, cavalo de pau, raquete de tênis, etc) para localizar obstáculos.

· Localizar janelas, portas e mobiliários da sala.

· Caminhar entre os móveis e brinquedos em diferentes direções.

· Caminhar no pátio, entre cordas paralelas, colocadas à altura da criança.

· Caminhar entre obstáculos (construir caminhos, labirintos, com bloco de madeira, sacos de areia, etc).

· Informar ao aluno se as pessoas, os animais e os carros se aproximam ou se afastam do local comentando o que fazem.

· Aproximar-se e afastar-se do aluno falando para que ele perceba se o professor ou colegas estão perto ou longe.

· Sentir o calor do sol e os pingos da chuva.

· Imitar movimentos e posições do corpo: caminhar, parar, abaixar, levantar, ajoelhar, engatinhar, flexionar braços, mãos e dedos.

· Reconhecer objetos por semelhanças e diferenças, fazer pareação.

· Separar massas, moedas, pedrinhas, descobrindo atributos semelhantes ou diferentes dos objetos.

· Descrever as semelhanças entre os atributos.

· Iniciar pequenas “coleções” com todas as crianças criando oportunidades de contagem.

· Organizar “sacos surpresas” com objetos variados para que a criança verbalize os atributos desses objetos.

· Fazer construções com objetos, sucatas grandes e pequenos.

· Vestir e retirar roupas de bonecos de tamanhos diferentes.

· Brincar com jogos simbólicos onde a criança vivencie várias situações do cotidiano mudando os papéis (feirinha, supermercado, escola, cabelereira, etc...).

· Preparar a mesa para o lanche, distribuindo os utensílios.

· Preparar jogos como: memória com objetos e figuras (diferentes texturas).

· Realizar atividades que permitam à criança nomear objetos, pessoas, animais, plantas, etc...
· Participar de adivinhações simples ( o que é, o que é, através de pistas ou jogos orais).

· Criar histórias a partir de objetos concretos e fatos vividos e ajudar a criança a reproduzi-las.

· Cantar músicas que descrevam ações e contenham gestos.

· Planejar a rotina diária em conjunto, dando ênfase no que será feito ANTES e DEPOIS.

· Fazer massinha de modelar.

· Usando as mãos: passar manteiga no pão, torradas, descascar algumas frutas.

· Descascar frutas e legumes e identificá-los através de atributos, semelhanças de tamanhos, cores, etc.

· Identificar os diferentes tipos de alimentos durante a refeição.

· Usar o guardanapo.

· Identificar o direito e o avesso das roupas.

· Lavar o rosto e pentear os cabelos.

· Uso adequado do sanitário.

· Aprender a assoar o nariz.

· Brincar de tomar banho, ensaboar-se identificando as partes do corpo.

· Abotoar e desabotoar botões, colchetes, primeiro em situações lúdicas como despir e vestir bonecos.

· Brincadeiras de roda, jogos de tradições orais tais como: cantigas, parlendas, rimas, etc.

· Brincadeiras de execução de ordens simples do tipo: O chefinho mandou colocar as mãos no pescoço, cotovelo, joelho, tornozelo, etc...

· Brincar de esconde-esconde onde a criança escondida será identificada por algumas pistas orais.

· Jogos com rimas.

· Elaborar brinquedos sonoros com sucatas, grãos, sementes.


- O professor pode:

- Indicar algumas destas sugestões para a família (uma forma de participação).

- Utilizar com as outras crianças (videntes), será gratificante para todos.

- Pedir que as crianças auxiliem o deficiente visual em algumas atividades.