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Subsídios para trabalhar com poesia em sala de aula


Miriam Mermelstein



A autora fala das dificuldades em trabalhar com poesia em sala de aula e chama a atenção para a importância de resgatar o sentido que a poesia possuía na antigüidade, quando cumpria múltiplas funções como ritual, entretenimento, enigma, profecia, filosofia e competição. “É na atividade criativa com a língua que a criança constrói formas originais de ver o mundo (...) O aluno entra em contato com os recursos estilísticos da poesia para reconhecer, interpretar e criar”.



 “A poiesis é uma função lúdica... Ela está para além da seriedade, naquele plano mais primitivo e originário a que pertencem a criança, o animal, o selvagem e o visionário, na região do sonho, do encantamento, do êxtase, do riso.” 

(Johan Huizinga)




Poesia virou mito em nossas salas de aula. De modo geral, observamos resistências na escola em ler, interpretar, criar e recriar poemas. Poesia nos remete ao passado, coisa de nossos avós que declamavam para as visitas ou recitavam versos nas aulas de língua portuguesa.



A poesia reclama seu espaço e sua vez nesse planeta conturbado. Várias são as iniciativas de professores que recuperaram o prazer da leitura poética, a degustação de palavras combinadas, a viagem na fantasia das imagens, o fôlego da mesmice. Relatos publicados em sites e revistas de educação e os programas de cursos para professores provam que é possível romper o preconceito de que é difícil trabalhar com poesia.



“Poiesis”, palavra grega, significa “produzir, fazer,” criar uma realidade diferente da histórica e factual. A poesia na antigüidade era ritual, entretenimento, enigma, profecia, filosofia, competição. O poeta era concebido como um sábio e a função do poema era social, educar e guiar uma prática. Na Índia e Grécia antigas e no Império Romano, vários documentos, hinos, contratos e provérbios eram escritos em versos, em parte pela facilidade de memorização.



Para Huizinga, Johan no capítulo - O jogo e a poesia in “Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura” Editora Perspectiva, 1980: todo poema tem origem no jogo: jogo do culto, da corte amorosa, jogo marcial da competição, jogo do humor. Segundo o autor, tudo que transcende a esfera do juízo lógico e deliberativo é lúdico. 



Há basicamente três tipos de poemas: Lírico - ritmo, musicalidade, brevidade e intensidade. “Eu lírico” é voz central. Ligado à música em sua raiz. Drama - baseado em diálogos, monólogos e conflitos interiores e sociais. Ligado ao teatro. Épico – o narrador apresenta personagens envolvidos em situações de uma história, uma batalha, um evento.



A experiência lingüística começa com o nascimento, quando os primeiros sons e acordes são ouvidos. O som, primariamente, extrapola o significado nas parlendas, canções de ninar, poemas. Em seu cotidiano, a criança vive a poesia através das brincadeiras, da invenção de rimas, dos trava-línguas, músicas, etc. É na atividade criativa com a língua que a criança constrói formas originais de ver o mundo.



As palavras na poesia têm muitos sentidos que variam de época, lugar, posição dela no poema, etc (ex: para Camões a palavra “gentil” é nobre e altiva, hoje ela tem outro significado).



Poesia tem alto poder de síntese, fala nas entrelinhas.



A poesia em Língua Portuguesa começa no fim do século XII, de cunho confessional, lírica chamada cantiga de amigo, de amor e de escárnio (as poesias eram cantadas). Os poetas usavam muito o recurso do exagero, da fatalidade (hipérbole) para responder a questão existencial: “Quem sou eu?”. 



Até o fim do século XVIII (Classicismo) a poesia continua sendo expressa “segundo a crença corrente de que o homem, em geral, é um ser superior, senhor absoluto da natureza, da ciência e da arte....São justamente essas as características básicas do Classicismo, que prega o controle das emoções pela razão” (Carlos Felipe Moisés in “Poesia não é difícil” Editora Artes e Ofícios, 1996).



Depois vem a revolução Romântica, século XIX, quando as emoções podem ser extravasadas de todas as formas: “o desespero, a aflição, a instabilidade, a sensação se desamparo absoluto, que leva a maioria dos seus poetas a afirmar que preferem a morte”. (idem). O autoconhecimento é emocional, pessoal. 



Na poesia Moderna, não se tem certeza de nada. ”O autoconhecimento é uma espécie de aventura, um mergulho no desconhecido. O homem moderno tem consciência aguda do relativismo de todas as coisas. “(idem) 



“Eu sou eu mais a minha circunstância.” (Ortega y Gasset - filósofo espanhol). 



Os traços de vida cotidiana que caracterizam a escola modernista têm origem em poucos poetas nas cantigas medievais de escárnio ou maldizer (Gregório de Matos-1633-1696 e Bocage-1765 -1805) ao lado de cantigas de amor e de amigo. Nos séculos XVII e XVIII, o sensualismo e erotismo só aparecem nos gêneros considerados “menores” (sátira, burlesco) e o bom gosto do salão exigia poesia lírica com pudor e idealização. “No Romantismo tem início a liberação... atenuam o rigor das restrições morais e literárias dando vazão ao sensualismo...” (Idem).



No século XX que assiste ao desenvolvimento urbano e industrial, a poesia moderna fixa atenção “na paisagem formada pelos objetos familiares e pela vida cotidiana” (idem).



A “arte pela arte” predomina no Romantismo, arte como um fim em si. (parnasianos e simbolistas). No início do século XX ressurge a “arte útil” graças a J.Paul Sartre (1905-1980), arte engajada. Troca-se o ingênuo romântico pela inocência vista como uma volta à pureza da infância (Charles Baudelaire- 1821-1867). Para esse escritor “a poesia é a infância reencontrada” . 



Poesia entra no mundo infantil como jogo, enfatiza Huizinga (idem). É jogo verbal em uma construção sutil de frases que permite a exploração de múltiplos significados, de recriação sonora e semântica, de adivinhações, de deslocamentos de pensamento e ação, etc. Esses jogos tornam-se mais complexos e as regras sendo introduzidas para garantir resultados mais elaborados. O aluno entra em contato com os recursos estilísticos da poesia para reconhecer, interpretar e criar.



Como diz José Paulo Paes em “Poesia para crianças - Um depoimento” Editora Giordano,1996 ”... a poesia tende a chamar a atenção da criança para as surpresas que podem estar escondidas na língua que ela fala todos os dias sem se dar conta delas”. Ou então, Jerome Rothemberg: “a poesia imita o pensamento ou ação. Ela propõe seu próprio deslocamento. Permite a vulnerabilidade e o conflito....aberta à mudança, a uma troca de idéias. O que é linguagem. O que é realidade. O que é experiência...” 



T.S.Eliot in “De poetas e de poetas” - Editora Brasiliense 1991, se refere às funções da poesia: “comunicar uma nova experiência, nova compreensão do que é familiar ou expressão de algo que experimentamos e para o que não temos palavras”.



Na prática, porém, ouvimos com freqüência as seguintes questões: como despertar o prazer pela leitura de poesia? Como ensinar poesia? Como fazer os alunos lerem e escreverem poesia?



Segundo Ligia M. Averbuck in “Leitura em crise na escola” org. Regina Zilberman Editora Mercado Aberto, 1984 ”mais do que “ensinar poesia”, caberia antes, discutir o termo “ensinar”. O caminho seria o de criar uma “impregnação” ou de uma “sensibilização”, “aproximação”, ou “leitura”, do que propriamente de “ensino” “. “Na criança, tanto o desenvolvimento da personalidade e da sensibilidade quanto a expansão do real pela poesia, e pela arte em geral, se dão por meio do fluxo da fantasia, por sua percepção particular do mundo.”



Enquanto no adulto o que supre a suplência da percepção é o conhecimento prévio, na criança o que substitui a imperfeição do conhecimento é a imaginação.(idem)



Poesia pode ser definida como “a ordenação rítmica ou simétrica da linguagem, a acentuação eficaz pela rima ou pela assonância, o disfarce deliberado do sentido, a construção sutil e artificial das frases”. (Huizinga, J)



Abrir um livro de poemas e começar a ler com freqüência para o colega na sala dos professores, para o(a) filho(a), sobrinho(a), namorado(a), marido, mãe, etc, pode ser uma forma prazerosa de preparar o trabalho com a poesia em sala de aula.



Tenho certeza que uma porta se abrirá e o caminho para chegar no aluno e partilhar com ele da beleza da poesia acontecerá.




*Miriam Mermelstein é pedagoga e autora de obras de Literatura Infantil, tendo ministrado as oficinas “A poesia em sala de aula” e “Abraçando a palavra” no CRE Mario Covas, durante o 1º semestre de 2004




Gif Aladin e Jasmine

A importância da poesia no ensino fundamental

A poesia é a voz da alma. Poetizar é falar das coisas não como elas são mas como as vemos e sentimos em um determinado instante chamado de inspiração. O poeta enxerga além da realidade, seu mundo de metáforas aproxima-se do encanto e da magia. Nas poesias, os sonhos criam calos, o coração chora, as pedras falam e etc. É este poder de dar vida às coisas que faz do poeta um criador que não se preocupa com as formas, cores, sexo, mas com os sentimentos internos e externos. É preciso saber criar poesias para que as mesmas não morram jamais.
Embora muitos poetas escrevam para adultos, existe aquela parcela que se preocupa com gente pequena, ou seja, com as crianças. E quando a poesia entra na sala de aula ela traz um mundo imaginário àquela comunidade. O contato com a poesia desde as primeiras séries da aprendizagem faz da criança um ser mais sensível às coisas do mundo, um ser que questiona os amigos e a si mesmo, incentivando o diálogo e a troca de idéias. As poesias para crianças retratam a fantasia despertando o pensamento investigativo, a busca pelo conhecimento e o questionar torna-se fruto de uma imaginação sem fronteiras. A poesia infantil aproxima-se muito do mundo imaginário das crianças e é por isso que devemos levá-la até elas para que saibam que os seus pensamentos também são pensados por adultos e sintam-se respeitadas e encorajadas na imaginação.
A poesia para crianças no ensino fundamental tem uma importância de extrema relevância, uma vez que a mesma pode transmitir conhecimento através de versos com sonoridade (rima). Esta transmissão de conhecimento acontece de duas formas: fantasia e realidade. Quando a criança ler a poesia ela se depara com uma fantasia e começa a sonhar, ao mesmo tempo em que se depara com a realidade e começa a descobrir novos caminhos para a construção dos seus princípios éticos. A formação das crianças que mantêm contato com a poesia desde as primeiras séries iniciais é bastante significativa quando atingem a idade adulta, geralmente tornam-se cidadãs com dignidade e valores morais próximos daquilo que a sociedade espera. O contato com a poesia em sala de aula faz a criança divagar em sonhos noturnos com elefantes que calçam sapatos ao mesmo tempo com uma pedra que chora por perder a sua morada. É este contato com as metáforas que fascinam a imaginação das crianças, fazendo-as despertar para o conhecimento da matemática, ciências, geografia, dentre outras. Ora diria uma criança: - Como pode uma pedra chorar? – E assim esta pergunta tornar-se motivo de discussão em sala de aula e o professor deverá estar pronto para uma resposta convincente, mas ainda cheia de indagações a respeito da mesma. Perguntar é coisa que toda criança faz. Responder é coisa que todo adulto também faz. Mas as respostas das poesias para crianças devem ser recheadas de encanto o que torna mais fácil à assimilação das mesmas. Aqui, o professor deve estar tão próximo da poesia quanto às crianças, pois o imaginário deve ser preservado de tal forma que o saber ganhe aspecto de personagem-fantasia.
No ensino fundamental costuma-se encher as crianças de histórias infantis talvez por serem mais fáceis de passar o conhecimento. Todavia o uso da poesia constrói os mesmos castelos de sabedoria, com uma diferença: a metáfora. Na poesia a criança percebe que seu mundo imaginário não está isolado e sente-se contente ao manter contato com alguém que pensa do mesmo jeito que ela. Imaginemos uma menina que brinca com as suas bonecas, agora imaginemos um adulto que escreve uma poesia falando da felicidade de conversar com uma boneca. O que quero dizer é que esta menina sentirá que alguém faz o mesmo que ela e que este alguém grande ou pequeno age da mesma forma que ela. Sendo que a diferença do poeta para a menina é que ele age na fantasia ela na realidade. Ambos agem de uma forma diferente porque quem escreveu a poesia pode até gostar de conversar com bonecas, mas na verdade esta conversa pode ser explorada pelo professor como uma conversa com si próprio.
Poetizar para crianças não é tarefa fácil. Trabalhar poesia em salas de aula também não é tão simples assim. É preciso ter sensibilidade e prazer pela poesia, entrar no mundo da imaginação do poeta e deixar a criança bailar na sua imaginação, unir esses dois mundos é o grande desafio do professor. Transmitir conhecimento através da poesia é uma forma de valorização do sentimento infantil que procura se identificar com os conceitos que lhes chegam prontos. É preciso deixar a poesia falar na criança e a criança falar com a poesia, enquanto se aprende a escrever a palavra alegria.
  
 
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A poesia alfabetizando crianças

A poesia tem a sua importância em sala de aula. Ela educa, diverte e dá imaginação. Eu não sei o motivo dos professores não utilizarem a poesia em sala de aula. Também não sei o por quê das editoras não gostarem de publicar livros de poesias para crianças. Tome como exemplo a poesia abaixo:
 
Eu não sei o que
Esse X metido
Está fazendo
Dentro da minha
Xícara
Só sei que ele
É x de xícara.
 
A poesia acima mostra como se ensinar a escrever corretamente. O meu propósito com o contar poesias é fazer os alunos saberem o que estão lendo e escrevendo. Tenho um aluno muito inteligente, ele consegue expor idéias belíssimas nas poesias visuais, porém escreve mal. A sua ortografia é muito ruim. Este é um caso particular, mas tenho outros piores. Com a poesia pretendo fazer com que ele comece a ver como se escreve as palavras, para isso quero brincar com as palavras contando poesias e pedindo para ele escrever poesias, o que chamo de redação com frases curtas. A poesia é o retrato da palavra que nunca envelhece, pois tem mil faces numa só.
Pensando na dificuldade que algumas crianças têm para aprenderem a ler e escrever, comecei a fazer poesias brincando com as letras do alfabeto. A rima ajudou as crianças a aprenderem com mais facilidade. Nesse caso, eu precisei trabalhar a poesia com rima e versos curtos para facilitar o aprendizado. Não foi fácil. Como não trabalho alfabetizando crianças pedi para uma colega utilizar as minhas poesias em sua sala de aula, o resultado foi muito bom. Não se pode esperar que um trabalho inicial venha a ser um sucesso de imediato, mas o resultado foi o esperado. Cada dia ela lia uma poesia para a sua turma, pedia para eles fazerem desenhos que começassem com a letra referida na poesia. Um exemplo prático explicará melhor o que quero dizer. A poesia abaixo:
P de papai
Passa e vai
P de papai
Nunca cai
P de pato
Quer ter
Um retrato.
 
Esta foi uma das poesias trabalhada em sala de aula pela minha colega. A letra “P”. Nós tivemos mais uma idéia: musicamos as poesias para as crianças assimilarem com maior facilidade. Os exercícios eram feitos da seguinte forma: elas desenhavam objetos que tinham ou começavam com a letra “P”. Algumas desenhavam o que vinha à mente e nós aproveitamos estes desenhos para outras atividades, embora a maioria desenhasse corretamente. Depois do desenho se seguia a aprendizagem da escrita da palavra. Teve uma que desenhou um paralelepípedo. Para ela foi fácil desenhar a palavra, mas não sabia nem como pronunciá-la e levou um certo tempo para aprender a escrevê-la. Aprendeu, sim. Depois de algumas atividades.
Os livros didáticos trazem aqui e acolá uma ou outra poesia. Os professores nunca trabalham poesias para alfabetizar. Eles nem imaginam que três versos rimados são mais fáceis de absorver do que cinco ou sei palavras soltas. A boa poesia traz versos coloridos e passinhos infantis querendo agarrar o que está próximo para brincar de aprender. A criança espera por você, professor, pela sua poesia.



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Quer trabalhar a poesia na sala de aula?

Algumas dicas:


Brinque muito com as rimas. A criança aprende melhor com o lúdico e por isso use rimas engraçadas do tipo “Daniel rima com pastel”. Use também dicionário de rimas.


Desperte o prazer de declamar poesias em suas crianças!

Para isso você deve memorizar suas poesias infantis preferidas e "declamar" para eles. Demonstre expressões no olhar, faça o seu corpo "falar"!


Faça jogos de disputa de equipes com tarefas simples.

Ex: a equipe que conseguir em 5 minutos o maior número de palavras que rimem com a palavra “saboroso” marcará ponto.


Convide um poeta da sua localidade e peça-o que fale sobre o ritmo e a sonoridade das palavras em uma poesia. Deixe que as crianças o entrevistem.


Prepare um “Chá com poesia” com o objetivo de convidar os pais, isso dará a oportunidade das crianças se apresentarem, não precisa ser um evento muito elaborado – pode ser realizado em meia hora no horário de entrada prepare apenas um chá e alguns biscoitinhos. Para que o evento não seja demorado prepare jograis com as crianças, pois assim todos participam inclusive os mais inibidos. Esse tipo de evento estreita os laços da escola com a família.


Crie um BLOG POÉTICO para a turma. Não esqueça de fotografar o Chá com poesia e colocar as fotos no BLOG da turma com o registro de suas emoções – aproveite também para publicar neste espaço as poesias coletivas da turma.Peça também a autorização por escrito aos pais para postar as fotos dos alunos.


Apresente as obras. Use obras dedicadas à poesia, não livros didáticos.





SUGESTÕES DE ATIVIDADES

Produzir uma história coletiva após leitura de Magia de escrever;


Reescrever as histórias em prosa;


Criar brinquedos com sucatas após a leitura de Vira-vira e fazer uma exposição/concurso de criatividade com os mesmos.


Montar uma dramatização ou jogral com o poema Mãe Natureza;


Criar poemas a partir de novas imagens inspirados no poema De onde vêm?;


Desfile de modas com roupas dos pais estimulados pelo poema Brincadeira de criança;


Livro de receitas alternativas com o poema Fome repentina.


FONTE: orkut